Igreja reforça que não apoia candidatos nem partidos, mas convoca os fiéis a exercerem o voto com consciência ética, responsabilidade social e compromisso cristão.
Às vésperas de mais um período decisivo para o país, a Diocese de São João da Boa Vista convida as comunidades paroquiais, lideranças pastorais e todos os fiéis a refletirem sobre a missão do cristão na vida pública. Iluminada pelas diretrizes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Igreja local reforça uma premissa fundamental da Doutrina Social da Igreja: a Igreja Católica não indica partidos, não apoia candidatos e não faz campanha eleitoral, mas tem o dever profético de orientar as consciências para a promoção da justiça, da verdade e da dignidade da pessoa humana.
Ao longo dos últimos anos e dos sucessivos pleitos eleitorais, o episcopado brasileiro tem emitido pronunciamentos, cartas e mensagens pastorais que formam um verdadeiro guia de discernimento cidadão. Acompanhe a seguir os principais marcos dessa caminhada:
Retrospectiva: a voz dos bispos nos últimos anos
2018: O bem da nação acima de polarizações e interesses particulares
Durante a 56ª Assembleia Geral, os bispos dirigiram ao povo brasileiro uma mensagem de esperança em meio a um cenário de forte crise institucional, polarização política e desinformação. O documento destacou a necessidade urgente de combater a violência, a intolerância e as notícias falsas (fake news), frisando que:
- As eleições devem transcorrer sob rigorosos princípios éticos e democráticos.
- A participação cidadã não se encerra nas urnas: o voto é apenas o início do acompanhamento público.
2020: Combate veemente à compra e venda de votos
Nas eleições municipais de 2020, a CNBB denunciou práticas espúrias que ferem a honra do cidadão:
“A compra e venda de votos constituem crimes eleitorais que atentam contra a honra do eleitor e a cidadania.”
Para os bispos, mercantilizar a escolha política degrada a própria democracia. Participar da política exige compromisso ético, fidelidade aos valores da vida e responsabilidade comunitária.
2022: Defesa da fé autêntica e compromisso pós-eleitoral
O pleito de 2022 trouxe desafios delicados, respondidos com firmeza em dois momentos:
- Repúdio à instrumentalização da fé (2º Turno): A presidência da CNBB condenou veementemente a exploração religiosa para fins eleitoreiros:“A CNBB condena, veementemente, o uso da religião por todo e qualquer candidato como ferramenta de sua campanha eleitoral.”A entidade alertou para o perigo das mentiras articuladas e conclamou à reflexão sobre a fraternidade e a solidariedade.
- Acompanhamento e reconciliação (Pós-Pleito): Encerrada a apuração, os bispos recordaram que a cidadania continua no dia a dia, cabendo à sociedade civil fiscalizar as promessas e a conduta dos governantes eleitos. Foi também feito um apelo à pacificação nacional em prol da construção de uma “política melhor, a serviço do bem comum”, inspirada pelo magistério do Papa Francisco.
2024: A superação da corrupção nos municípios
Nas eleições municipais de 2024, o cardeal Dom Jaime Spengler, presidente da CNBB, enfatizou que a probidade administrativa é indispensável para um governo justo:
- A corrupção, seja em que escala for, alimenta o autoritarismo e destrói o tecido social.
- O combate aos desvios deve ocorrer não apenas na campanha, mas durante todo o mandato, por meio da fiscalização constante e consciente dos cidadãos.
2026: Independência partidária e renovação democrática
Na mensagem para as Eleições 2026, aprovada pelo Conselho Permanente da CNBB, reafirmou-se categoricamente a postura institucional da Igreja:
“As eleições são oportunidades privilegiadas para o exercício da cidadania e da corresponsabilidade social. Mais do que escolher governantes e representantes, somos chamados a renovar nosso compromisso com os valores que sustentam a convivência democrática, a justiça social e a fraternidade.”
O texto convida o eleitorado a avaliar criticamente os projetos que defendem a dignidade humana, o fortalecimento das instituições democráticas, a verdade contra a desinformação e as políticas que amparam os mais vulneráveis.
O discernimento em nossa Diocese
Para nós, fiéis da Diocese de São João da Boa Vista, esse percurso histórico serve de espelho e farol. Em nossos municípios, bairros e comunidades:
- Procure conhecer o histórico dos candidatos: Avalie a conduta ética, as propostas concretas para a saúde, educação, meio ambiente e assistência social, e a coerência de vida dos postulantes aos cargos públicos.
- Rejeite discursos de ódio e mentiras: Como cristãos, somos chamados a ser artífices da paz, verificando as informações antes de compartilhá-las e evitando alimentar divisões nas famílias e comunidades.
- Reze pelo discernimento: A oração ilumina a mente para escolher não por favores ou conveniências pessoais, mas pelo que verdadeiramente constrói o Reino de Deus e o bem de todos.
Acesse o material produzido pela Pastoral Fé e Política, a cartilha de orientações diocesanas em tempos de eleições: CLIQUE AQUI PARA DOWNLOAD








